
Processo de Trabalho e Construção da Subjetividade
05/05/2009O processo de trabalho nos remete a uma dimensão de utilidades que irão satisfazer as necessidades humanas, mas na sociedade capitalista, o trabalho não é visto como sendo de utilidade para o ser humano e sim uma mercadoria, que pode ser vendida ou comprada. Através do trabalho, indivíduos passam a ser mercadorias e não mais indivíduos.
Ao se falar em produtividade a atividade humana passa ser vista como sendo força de trabalho, e os instrumentos e objetos utilizados passam a ser meios de produção e propriedades do capitalismo.
A partir do gesto produtivo, qual o nível de competência que determina o trabalho do homem? De um lado encontramos o trabalho artesanal que expressa toda a subjetividade de quem o faz, de outro, o trabalho realizado por máquinas. Desta maneira as duas formas de trabalho são diferentes, apresentando conseqüências psicológicas distintas entre seus realizadores.
Este gesto produtivo transforma o trabalho em uma luta, cheia de confrontos no dia-a-dia, pois para o capitalismo, quanto mais descartável for o produto, mais lucro irá ter, fazendo com que os trabalhadores que o produziram entrem em confronto entre trabalho e força de trabalho com eles mesmos.
Os trabalhadores investem cada vez mais em cursos de aperfeiçoamento e especializações, dessa maneira o indivíduo se estabiliza no emprego e muitas vezes até consegue uma melhora no salário e poder de barganha com a empresa.
As tarefas passaram a ter um ritmo padronizado, assim, surgiram os funcionários reservas, caso um dos titulares falte o reserva entra em ação, não deixando que a produção fique comprometida nem que haja atraso no ritmo imposto pela empresa. Logo surgiram as máquinas, capazes de aumentar a força do homem reduzindo seu esforço físico, mas em muitas empresas, elas passaram a substituir os homens.
Nas empresas o comportamento do trabalhador é moldado de acordo com o que a empresa deseja. Logo na admissão de um funcionário, já é exposto quais são os seus direitos e deveres, que irá fazer com que se crie um ambiente agradável para o convívio coletivo, e, aquele que o violar, tem grandes chances de perder o seu emprego. Até mesmo os passos que deve tomar para a realização de seu trabalho já lhe são impostos.
O indivíduo usa de seu salário para se reapropriar de sua identidade, pois com ele cria um vínculo entre produção e consumo, podendo comprar o produto que produziu. E este mesmo salário irá definir seu acesso à educação, cultura e lazer.
Qualquer que seja o modo de produção do trabalhador, ele irá transferir ao produto final, um pouco de sua subjetividade, se identificando com o produto.
Por mais que o trabalho seja feito de uma forma alienante, o trabalhador sempre irá transferir um pouco de sua subjetividade para ele.
Trabalho e afeto se solidificam de três formas: o trabalhador vê com certo carinho o produto produzido por ele; sem alienação entre produto produtor; ruptura entre a produção da existência e a reprodução da vida, onde afeto e trabalho passam a ser distintos.
As relações de produção se responsabilizam para haver a ruptura entre afeto e trabalho, tornando o afeto compatível somente ao lar e família e o trabalho apenas ligado à produção, deixando-o insuportável, assim, o trabalhador reafetiva o ambiente e cria laços com os demais trabalhadores.
Geraldine Marques Maiochi
Psicóloga – CRP12/07338